Por que adotar a abordagem Pikler-Loczy no Berçário?

mar / 15

Por que adotar a abordagem Pikler-Loczy no Berçário?

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QUAIS SÃO OS MOTIVOS PARA ADOTAR A ABORDAGEM PÍKLER-LÓCZY NO BERÇÁRIO?

Por muito tempo, o berçário foi considerado como o “serviço” para cuidar dos bebês, com o objetivo de os pais poderem trabalhar tranquilamente. Tinha um caráter mais voltado ao cuidado e era pouco vinculado a objetivos educacionais.
Com a LDBEN 9394 em 1996, a Educação Infantil claramente deixou de ser considerada como um serviço social e passou definitivamente a ser considerada como a primeira etapa da Educação Básica. A Educação Infantil, por sua vez, é subdividida em outras duas etapas: Creche, que atende crianças de 0 a 3 anos e Pré-Escola, que atende crianças de 4 e 5 anos de idade. Com 6 anos, pela nossa legislação educacional, a criança deverá ser matriculada no Ensino Fundamental e desde 2011, as crianças com 4 anos, obrigatoriamente devem ter acesso à escola (obrigatória e gratuita).
O caso é que desde essa época, mais para o ano de 1997, foi produzido o RCNEI, o Referencial Curricular Nacional de Educação Infantil e publicado em 1998. Esse documento, apresentou um outro olhar a respeito da Educação Infantil e colocou ênfase nas práticas educativas necessárias para os bebês.
Muito se falou na década seguinte, em “método cosntrutivista” “método piagetiano”, embora Piaget e Vygotsky nunca tivessem desenvolvido métodos educacionais (e isso é matéria para um outro post ok?). Em seguida, o Método Montessoriano também foi divulgado.
Mas ganhou força, nos últimos anos, dois exemplos de educação planejada para os bebês, a experiência Reggio Emilia (na Itália) e a abordagem Pikler-Lóczy. Vamos explicar!

A experiência Reggio Emília, diz respeito a uma cidade italiana em que após a segunda guerra mundial, a comunidade resolveu construir uma escola para as crianças com o dinheiro de venda do que sobrou da guerra. Na experiência, queriam uma educação diferente, que favorecesse o desenvolvimento do protagonismo infantil, da autonomia, uma escola em que tudo fosse sensorialmente uma experiência mágica, lúdica e absolutamente laboratorial.
Foi nessas circunstancias que o pedagogo Loris Malaguzzi pôde desenvolver um projeto pedagógico inovador, que propagado em toda a cidade, na sequência, ganhou o mundo.

Já a Emmi Pikler, pediatra austríaca, desenvolveu na Hungria, uma metodologia própria de cuidado e educação dos bebês. Seu trabalho fora iniciado em uma casa de acolhimento de crianças órfãs e abandonadas e foi todo baseado na criação de laços afetivos entre cuidador e bebê como um princípio de aproximação e confiança. Com o vínculo feito, o adulto pode entender e se comunicar com o bebê. E o bebê pode participar ativamente de tudo o que lhe acontece. O Instituto Lóczy (situado na Rua Lóczy) ganhou referencia primeiramente em Budapeste e depois no mundo todo, tornando-se um centro de estudos para médicos, enfermeiras e psicólogos e depois para pedagogos, mestres e cuidadores.

A abordagem Pikler é baseada em vários princípios, mas os mais importantes são:

1- O brincar livre – o bebê não precisa da intervenção adulta em brincadeiras dirigidas para aprender, ou seja, queremos dizer que, Emmi Pikler percebeu que cada criança desenvolverá sua condição motora e cognitiva a partir do movimento e da corporalidade, e para isso ela precisa poder explorar os movimentos, o próprio corpo em movimento, percebê-lo e assim, a criança começa a construir uma percepção de si mesma, e o papel do adulto é o de sim, criar condições para que a criança tenha um ambiente rico em objetos, brinquedos que permitam a criança explorar os sentidos, o movimento, e a capacidade de resolver desafios.

2- Autonomia – ainda com base na experiencia do brincar livre, considerando que nessa fase de 0 a 3 anos, todas as experiencias de aprendizagem são lúdicas a partir da motivação do próprio bebê, toma-se como princípio de que toda criança pode aprender no tempo dela, a fazer as coisas sozinhas, sem o adulto a forçar, como exemplo, rolar o corpo, sentar, engatinhar, apoiar-se em pé, andar, segurar alimentos, comer, usar talher… ninguém desenvolve autonomia se não tiver oportunidade de experimenta-la. A autonomia é uma construção baseada na ação exercida diariamente.

3- Atenção plena e privilegiada – cada criança aprende a superar desafios a partir da liberdade de explorar movimentos e o próprio corpo, como dissemos. mas para isso acontecer, é preciso que o adulto não só crie muitas oportunidades para a criança vivenciar e experimentar. Loris Malaguzzi, em seus estudos, diferencia vivenciar de experimentar, sendo que nem tudo o que vivenciamos perpassa por nossa experimentação de fato. É a experimentação que permite uma interação entre a criança e os objetos de conhecimento e é preciso que o adulto tenha clareza a respeito de quais situações educativas são caracterizadas como propostas mais superficiais ou quais são propostas de interação mais sofisticadas a criança, bem como saber regular a proposta à etapa de desenvolvimento e em especial, as necessidades de aprendizagem de cada criança, uma vez que as trilhas de aprendizagem se diferem de criança para criança. Para isso, o adulto deverá criar laços afetivos com a criança, de modo que a criança sinta segurança. Que possa a criança, ter confiança nas propostas a elas disponibilizadas. É importante que o adulto tenha atenção plena em cada atividade junto à criança, e que possa depois registrar o desenvolvimento em um dossiê que de fato registre o repertório construído pela criança. O adulto deverá garantir não apenas a segurança física e saúde da criança, mas sobretudo a segurança emocional para que possa avançar na construção de sua autonomia.
Ainda, percebe-se já, não apenas no Brasil, como em muitos outros países, que se é pela emoção que se aprende, pelo carinho e a confiança construída pela criança em torno de sua própria capacidade, a abordagem Pikler é mais que um modismo. Não se trata de um modismo, é movimento que deverá perdurar na Educação Infantil. Esse movimento tem base sim na teoria psicogenética interacionista socioconstrutivista, pois parte da ideia de que é por meio da interação da criança com os objetos de conhecimento, que construirá seu repertório de interpretação da realidade. A abordagem supera a compreensão mais “simplista” de Maria Montessori, que é mais caracterizada por uma Pedagogia Renovada. O método Montessori continua sendo importante para a Educação Infantil, pois coloca a criança no centro da ação, mas a diferença é que a abordagem Pikler propõe uma reflexão ampliada a respeito da complexidade de construção da criança, sem um direcionamento adultocentrico, ou seja, corresponde a um fazer ativo, mas construído pelo protagonismo infantil.

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Se quiser saber como anda o Instituto Pikler-Lóczy na atualidade, você poderá acessá-lo por meio desse link:

Instituto Pikler-Lóczy

Por Cinthia Guidini.

Comment (1)
  • admin / 15/03/2019, 12:26   Responder

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